Missão da Misha

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Missão da Misha

Mensagem por Shylia em Dom Jun 18, 2017 6:36 am

O lugar estava definitiva e visivelmente abandonado a mais de dez anos e tal abandono prolongado cobrava seu preço naquele ambiente. Folhas, secas e não secas, estavam espalhadas por toda parte, o mato estava começando a tomar conta das coisas e sinais de fuga apressada ainda eram visíveis. Janelas estavam quebradas, portas caídas e as paredes, internas e externas, eram sujas devido a ação do tempo e da água. Pripyot também tivesse sido uma bela cidade quando era habitada, entretanto não havia nada daquela beleza anterior. Porém não havia sido o acidente de Chernobyl que me trouxera aqui, mas se acalme, já irei explicar como vim parar aqui e o que eu viera fazer.

[...]

Aquele dia havia sido tranquilo e calmo, sem nada muito estranho para os padrões semideuses. Quando eu peguei no sono, deparei-me como uma sala grande, com borboletas nas paredes e voando pelo lugar. As paredes eram azuis claras e transpirava calma e tranquilidade. Confusa, olhei ao redor e vi uma mulher ruiva presente. Fui andando até ela, que estava sentada em uma poltrona, e me ajoelhei diante dela, abaixando levemente a cabeça em uma reverencia para a divindade da alma. Ela sorriu estalou os dedos, fazendo com que uma cadeira aparecesse para mim me sentar.

- Levante-se, querida, e sente-se. Precisamos conversar sobre algumas coisas. - A deusa já havia sido humana no passado e isso me faz acreditar que a tornava mais gentil e calma com semideuses do que a maioria dos deuses normais, pois ela se lembrava de como era não ser imortal e como nos sentíamos em relação aos deuses.

- Obrigada, senhora. - Ao profundar as palavras, ergui-me e sentei na cadeira, olhando-a com algum receio. Apesar da calma dela, nunca sabia quando poderia estar acontecendo algo realmente sério. Ou quando a mulher estava verdadeiramente irritada com alguma coisa. A curiosidade era evidente em minha face, especialmente com o cenho franzido levemente.

- Sei que você que estava refletindo sobre sua fé e talvez deixe o grupo. Antes de tal coisa, gostaria que você fizesse uma última coisa em meu nome. Algo estranho está acontecendo em Chernobyl e alguém precisa olhar isso... Com a maioria dos deuses ocupados e ignorando isso, creio que seja preciso envia-la.

A deusa não parecia estar irritada com aquilo e, se não soubesse que aquilo era perigoso, teria me questionado se realmente era verdade. Olhei para os meus pés, com a face ruborizada. Como eu iria lidar com aquilo? Eu realmente havia me questionado algumas vezes se realmente meu lugar era com os Mentalistas, mas não tinha certeza se sairia do grupo. Eu adorava a deusa e gostava muito de servi-la, mas me perguntava ocasionalmente se iria desejar aquilo pela vida inteira. Pelo visto, Psique sabia até mesmo daquilo. Mordi os lábios e falei com uma voz calma.

- Farei o que deseja, senhora. A senhora não está chateada com isso, está? Eu realmente gosto da senhora e do trabalho como sua serva, eu só... Estou confusa, milady. - Tentei explicar a ela, mas com um gesto de mão ela dispensou com um gesto de mão antes de falar novamente.

- Conheço a alma humana, criança, e como funciono e sei que algumas coisas são difíceis para nós. - Ela sorria com doçura e mordi os lábios, com a face corada. Ergui os olhos para a deusa para observa-la e tentar entender melhor o que Psique pensava e sentia - o que era quase impossível considerando que ela é uma deusa e eu uma mera semideusa ainda fraca.

- Eu não posso lhe dizer muita coisa, semideusa, e nem interferir. Sei que você conhece as regras, mas posso adiantar alguma coisa. Pessoas vem sendo sequestradas e tanto elas quanto animais vem causando problemas demais. Todas apresentam deformidades e mutações estranhas. Deve descobrir o motivo e resolver o problema antes que as proporções fiquem maiores. Desejo-lhe sorte, criança, e que os deuses estejam ao seu favor.

Após a dizer isso, o sonho dissolveu-se em borboletas azuis brilhantes e voltei ao sono tranquilo e calmo. Na manha seguinte, eu sabia o que deveria fazer, mesmo que durante meu sono simplesmente não conseguia me recordar do que precisava ser feito, lembrando apenas quando despertei.

[...]

Eu saíra do Acampamento no dia seguinte, carregando comigo alguns dos equipamentos que havia recebido de meu pai e minha atual senhora. Havia uma mochila em minhas costas, onde havia algum dinheiro mortal, meus denarios e também as coisas. O escudo ficava preso à mochila, o colar no pescoço e o isqueiro no bolso. Meus cabelos estavam presos em um rabo de cavalo alto e vestia uma rouba confortável: um short jeans, uma camiseta branca e all star negros.

Eu fui até o aeroporto, comprando uma passagem para Ucrânia, para o aeroporto mais próximo possível de Pripyat, permitindo uma viagem mais fácil até lá. Foi quando eu parei para me informar sobre o que vinha acontecendo no lugar. No aeroporto, tanto de São Francisco quanto na Ucrânia, falei com pessoas que falavam inglês e russo, onde eles me contaram o que acontecia naquele lugar. E o que vinha acontecendo me deixava chocada, era pior do que o que Psique havia dito - ou talvez aquilo fosse o máximo que ela pudesse me dizer. Seja qual fosse a opção correta, a verdade era que as pessoas que eram sequestradas sumiam por tempo variado (em sua maioria, mais de um mês) e, nas poucas vezes que reapareciam, estavam com problemas de saúde e começando a apresentar mutações físicas devido ao contato prolongado com a radiação. Os animais, bem, eles saiam do entorno da cidade e agora causavam problemas as pessoas mais longe.

Quando cheguei a Ucrânia, comprei algumas coisas que poderia levar para comer - barras de cereais, sanduiches, biscoitos e coisas assim - e água, além de alguns medicamentos mais básicos, para coisas como dor de cabeça e semelhantes, itens de primeiros socorros para não sangrar até a morte, e uma bussola, tal como um mapa, em uma loja de departamento. Depois de fazer as compras, peguei um taxi com o dinheiro que sobrou e fui para o mais próximo possível que podia de Pripyat sem levantar muitas suspeitas para mim. Antes de saltar, usei uma combinação de Hipnose I com Telepatia I para que ele não falasse nada a ninguém e, com base no que ele estava pensando e, baseado nisso, contar uma história para em que a hipnose o ajudaria a se convencer que não deveria contar a nenhuma autoridade. Após o carro sair de vista, entrei na mata que cercava a cidade e fui andando em direção à cidade fantasma.

Precisei mudar o caminho algumas vezes para não dar de cara com pessoas que estavam fazendo a ronda no lugar e usei alguns poderes para me dar uma ajuda a desviar atenção: levitava pedras e jogava no lado oposto ao que eu estava, levitava pedras que estavam atrás das pessoas para ataca-las por trás e coisas parecidas, fazendo com que saíssem e eu pudesse passar. E eu estava tendo bastante trabalho para passar de modo silencioso. Pisava com todo o cuidado do mundo no chão, com delicadeza, e evitando qualquer coisa que pudessem fazer barulhos e denunciar onde eu estava. Depois, eu me esfreguei em arvores para deixar meu cheiro ali - eu sabia que monstros logo estariam me perseguindo e queria confundi-los - e passei folhas e terra em mim para disfarçar meu próprio cheiro, de modo a me misturar na área.

E, depois de muito esforço e cuidado, cheguei finalmente ao meu destino. Um cansado sorriso surgiu em meus lábios. Havia conseguido chegar até Pripryat sem os problemas que eu esperava encontrar até aquele ambiente, sempre ciente de que teria mais problemas na cidade que fora dela.

[...]

E agora eu estava ali, diante da cidade e sem saber como começar. Eu decidi então começar dando uma olhada nos prédios do lugar, pois em algum lugar deveria ter alguma pista. E nos prédios que eu notei como havia sido caótica ali a saída do lugar. Portas largadas abertas, muita sujeira, roupas mofadas e se decompondo, brinquedos sujos jogados por ai... E o cheiro dos ambientes fechados era de mofo, poeira e coisas se decompondo. Definitivamente, era o suficiente para que eu vomitasse e estivesse enojada em pouco tempo. Porém eu precisava continuar, pelo bem das pessoas.

Em um prédio, que era de apartamentos, estava olhando um apartamento em que, no chão de um dos quartos, havia uma fogueira recente, cuja madeira ainda exalava um pouco de calor - e de calor, meus amores, um filho de Vulcano entendia MUITO bem. Aquilo me deixou bem preocupada, pois significava que eu não estava sozinha naquele lugar macabro. E então ouvi um som no andar de baixo, obrigando-me a me esconder em um banheiro naquele andar. Ouvi algo pesado entrando no lugar e derrubando a porta do apartamento que estava fechada. Olhei pela fechadura, vendo um urso negro naquele lugar, fazendo-me ficar nervosa. Peguei o isqueiro no bolso e ativei-o, fazendo que virasse uma espada. Tirei o escudo das costas e coloquei a mochila no chão, para que não me atrapalhasse e nem nada assim. O animal farejava e me procurava e sabia que logo ele me encontraria, o que faria o combate inevitável entre nós. Mordendo o lábio inferior, me preparei para o inevitável. Era apenas uma pena que não houvesse tempo hábil para meditar e me preparar para aquela situação...

E então o animal se virou e olhou diretamente na direção da porta do banheiro. O urso começou a correr em direção a ela e eu saltei para a direita, saindo da frente da porta no instante que ela caiu. Apesar de ser rápido, o monstro não foi rápido o suficiente para me impedir de dar o primeiro golpe na criatura usando a espada que recebera de presente de meu amado pai, o deus das forjas e do fogo. O animal gritou e começou a se virar para me atacar com as garras, permitindo que eu passasse pela porta agora liberada.

Olhando aquela criatura a minha frente, eu senti pena da criatura. Não era culpa dele: não estava acostumado com pessoas, provavelmente assustado e agora ferido. Havia sido um ferimento até superficial, provavelmente menos grave também se ele não tivesse nascido sem pelos. Não queria mata-lo e não era culpa dele nascer assim ou estar ali, de modo algum. Asas azuis de borboleta surgiram em minhas costas e saltei, voando para longe do alcance dele. Não iria mata-lo e nem deixar que sangrasse até a morte. Ele ficou em duas patas para me atacar, mas não alcançava. Eu voei para o banheiro e peguei a mochila, voltando a me erguer o máximo que o teto permitia e peguei o kit de primeiros socorros. Prendi o animal de quatro no chão com correntes de metal e dei alguns pontos nele após esterilizar a água com as chamas da espada. Após dar os pontos, passei uma pomada que agilizava cicatrização. Ambas as coisas havia aprendido com minha mãe e me lembrava com perfeição. Mal eu aplicara gaze na criatura, as correntes sumiram e o bicho me deu uma patada, me jogando no chão.

- Mas que droga! Eu te salvo e é assim que me agradece, urso? - Reclamei, sentindo a dor do impacto contra a parede e rolando no chão rápido o suficiente apenas para não ser esmagada pelas patas poderosas dele. Levantei o melhor possível e saltei da janela, usando novamente as asas e voando até o teto, onde pousei e decidi ficar ali para: 1) esperar o urso ir embora; 2) ter uma visão melhor da cidade. Estava abaixada próxima ao parapeito, para oferecer uma visão mínima de mim enquanto olhava as coisas. Alguns minutos depois, vi o urso saindo do prédio rugindo. Eu tinha salvo a vida dele, apesar de tudo.

Olhando a cidade de cima, vi uma pessoa distante vestida com essas roupas de proteção próprias para radioatividade. Aquilo era muito suspeito, pois sabia que aquele lugar deveria ser inabitado e não havia uma explicação lógica ou não para ele estar ali - mas também não tinha uma explicação para que eu estivesse ali. Estava longe demais para que eu pudesse usar telepatia e mordi os lábios, me aproximando mais para a esquerda, direção que ele estava. Estava preocupada com quem poderia ser e o que estava tramando ali, pois eu sentia que tinha haver com a minha missão naquele lugar.

Quando ele se afastou e sumiu da minha vista, sai do teto e voltei para o andar a baixo, descendo o restante pelas escadas.
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